Nesta edição do Radar Clínico, reunimos as principais notícias, novidades e movimentos que marcaram junho de 2026 e que podem influenciar decisões clínicas, oportunidades de atuação e a forma como médicos se atualizam. Acompanhe!
Leia também:
1. PMMA passa a ser proibido para preenchimentos médicos no Brasil

O uso do PMMA em preenchimentos intradérmicos com finalidade estética ou reparadora está oficialmente proibido no Brasil.
Conforme reportagem da Agência Brasil, a medida foi estabelecida pela Resolução nº 2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina, publicada após a análise de relatos de eventos adversos graves relacionados à substância.
Entre as complicações descritas estão migração do material para outras regiões do corpo, alergias e reações inflamatórias crônicas, formação de granulomas, infecções, necrose tecidual, deformidades permanentes, insuficiência renal, hipercalcemia, além de casos que resultaram em mutilações cirúrgicas e óbitos.
A única exceção mantida pelo CFM é o tratamento da lipodistrofia associada ao HIV/Aids, realizado em unidades credenciadas do SUS.
A decisão reacende discussões sobre segurança em procedimentos estéticos e destaca a importância de uma prática médica sustentada por evidências científicas e pela avaliação criteriosa dos riscos e benefícios de cada intervenção.
2. A Copa começou. E o futebol continua ensinando muito sobre Medicina

A abertura da Copa do Mundo colocou milhões de pessoas diante das telas, acompanhando estratégias, decisões rápidas e o desempenho de equipes inteiras em busca do melhor resultado. No campo da saúde, a lógica não é tão diferente.
Na Medicina, a seleção também entra em campo. Tem goleiro salvando plantões na urgência, volante organizando o metabolismo, ponta acelerando na Dermatologia e até VAR revisando imagens em tempo real na Ultrassonografia.
Cada especialidade ocupa uma posição estratégica. E cada profissional conhece o jogo porque vive diariamente a prática clínica.
Porque Medicina não se aprende apenas assistindo ao jogo. Se aprende entrando em campo. Saiba mais!
3. Inspirali Pós Medicina lança aula gratuita sobre ultrassonogrfia e inteligência artificial

A ultrassonografia está presente em milhares de decisões clínicas todos os dias, mas interpretar uma imagem vai muito além de posicionar o transdutor.
Afinal, por que dois exames realizados no mesmo paciente podem gerar conclusões diferentes?
Para discutir essa questão, a Inspirali Pós Medicina lançou a aula gratuita Ultrassonografia diagnóstica: do efeito piezoelétrico à inteligência artificial, ministrada pelo Dr. Wagner Iared.
O conteúdo percorre os princípios físicos que tornam o exame possível, aborda o funcionamento dos transdutores, a formação de artefatos e apresenta aplicações atuais da inteligência artificial no diagnóstico por imagem.
É uma oportunidade para médicos que desejam compreender melhor a tecnologia por trás da ultrassonografia e ampliar a precisão das informações obtidas em cada exame. Acesse aqui
4. Depois das canetas, a próxima aposta contra a obesidade são os comprimidos

Os medicamentos injetáveis transformaram o tratamento da obesidade nos últimos anos. Agora, uma nova disputa farmacêutica busca levar os benefícios dos agonistas de GLP-1 para uma apresentação ainda mais acessível: os comprimidos.
Durante o congresso anual da American Diabetes Association, a AstraZeneca divulgou resultados promissores da elecogliprona, medicamento oral experimental que proporcionou uma perda média de 11,8% do peso corporal após 36 semanas na dose mais elevada.
A corrida, porém, está longe de ter um vencedor definido. A Novo Nordisk desenvolve uma formulação oral da semaglutida, a Lilly investe na orforgliprona e a Roche apresentou dados da enicepatide, associada a uma redução média de 22,7% do peso corporal em 48 semanas.
Os resultados reforçam uma tendência que pode ampliar o acesso ao tratamento da obesidade nos próximos anos e transformar novamente a forma como médicos e pacientes encaram o manejo dessa condição. Segundo apuração do SBT News, as pesquisas vêm despertando grande expectativa no mercado e entre especialistas.
5. Teoria do Estresse de Minoria explica sobre saúde mental da população LGBTQIAPN+

Por que pessoas LGBTQIAPN+ apresentam maior risco para ansiedade, depressão e sofrimento psíquico? Uma das explicações mais estudadas pela Psicologia e pela Psiquiatria é a Teoria do Estresse de Minoria, proposta por Ilan Meyer em 2003.
Segundo o modelo, além dos desafios inerentes à vida cotidiana, pessoas LGBTQIAPN+ estão expostas a estressores adicionais decorrentes do preconceito, da discriminação e do estigma social. Entre eles estão a ocultação da orientação sexual ou da identidade de gênero, experiências de violência e rejeição e a homofobia internalizada.
Um estudo das pesquisadoras Fernanda Paveltchuk e Juliane Borsa mostra que esses fatores estão associados a maiores índices de ansiedade, depressão, sofrimento emocional e ideação suicida. Em contrapartida, o trabalho também destaca fatores de proteção importantes, como apoio familiar, suporte social, autoestima e fortalecimento da identidade.
Compreender esses mecanismos permite que profissionais de saúde desenvolvam abordagens mais acolhedoras, qualificadas e baseadas em evidências. Para aprofundar o tema, vale a leitura do artigo completo publicado na revista Periódicos de Psicologia.
6. A literatura também ensina o médico a cuidar

Na Medicina, compreender pessoas é tão importante quanto compreender doenças. E a literatura pode ser uma grande aliada nesse processo.
Ao acompanhar personagens em suas trajetórias, o leitor se depara com medos, perdas, preconceitos, conflitos, vínculos afetivos e experiências que muitas vezes fazem parte da realidade dos pacientes. Quanto maior o repertório humano do médico, maior tende a ser sua capacidade de escuta, acolhimento e empatia.
Pensando nisso, reunimos em nosso Instagram sugestões de leituras que ajudam a ampliar esse olhar, entre elas Tudo é Rio, de Carla Madeira, Suicidas, de Raphael Montes, O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, A Montanha Mágica, de Thomas Mann, além de outros títulos que mostram como a ficção também pode contribuir para a formação de profissionais mais atentos às histórias que existem para além dos sintomas. Acesse!
7. Coordenadora do curso de Medicina do Esporte recomenda série sobre a campanha do tricampeonato brasileiro

Na Inspirali Pós Medicina, acreditamos que o aprendizado também acontece fora da sala de aula. Por isso, a Dra. Carla Tavares, coordenadora do curso de Medicina do Esporte, recomenda a série Brasil 70: A Saga do Tri, da Netfiix.
A produção revisita a trajetória da seleção brasileira na conquista do tricampeonato mundial, em meio ao contexto político da Ditadura Militar, acompanhando a saída de João Saldanha, a chegada de Zagallo e mostrando Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino e Carlos Alberto sob uma perspectiva pouco conhecida.
A série ajuda a refletir sobre fatores que seguem presentes no esporte de alto rendimento. Recuperação adequada, adaptação ao ambiente, prevenção de lesões, alimentação, controle da carga de treino e saúde mental já influenciavam o desempenho dos atletas, mesmo antes de a ciência compreender plenamente esses mecanismos.
A Medicina do Esporte avançou muito desde então. Mas uma lição permanece atual: performance e saúde caminham juntas.
Esse foi o radar com as novidades da medicina em junho de 2026. Continue em nosso blog e acompanhe os nossos canais para ficar sempre por dentro das tendências e notícias do segmento.

O PMMA está proibido no Brasil?
Sim. A Resolução nº 2.461/2026 do CFM proibiu o uso do PMMA para preenchimentos intradérmicos com finalidade estética ou reparadora, mantendo exceção apenas para casos específicos de lipodistrofia associada ao HIV/Aids no SUS.
Quais riscos levaram à proibição do PMMA?
Foram relatados casos de migração do produto, granulomas, reações inflamatórias crônicas, necrose tecidual, deformidades permanentes, insuficiência renal, hipercalcemia, infecções, mutilações cirúrgicas e óbitos.
Os medicamentos para obesidade em comprimidos já estão disponíveis?
Ainda não. Diversas farmacêuticas desenvolvem medicamentos orais para obesidade, mas a maior parte das moléculas continua em fase de estudos clínicos.
Quais medicamentos orais para obesidade estão em desenvolvimento?
Entre os principais candidatos estão a elecogliprona, da AstraZeneca, a orforgliprona, da Lilly, a semaglutida oral, da Novo Nordisk, e a enicepatide, da Roche.
O que é a Teoria do Estresse de Minoria?
É um modelo proposto por Ilan Meyer que explica como preconceito, discriminação e estigma social podem aumentar o risco de sofrimento psíquico em populações minorizadas, incluindo pessoas LGBTQIAPN+.
Quais fatores ajudam a proteger a saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+?
Apoio familiar, suporte social, autoestima fortalecida e uma identidade positiva estão entre os principais fatores associados à redução do sofrimento emocional.
Por que a literatura pode contribuir para a formação médica?
A leitura amplia o repertório humano do profissional, favorecendo a empatia, a escuta qualificada e a compreensão de experiências que fazem parte da vida dos pacientes.
O que a série Brasil 70: A Saga do Tri pode ensinar sobre Medicina do Esporte?
A produção mostra que desempenho esportivo depende de fatores como recuperação, alimentação, prevenção de lesões, adaptação ao ambiente e saúde mental, temas centrais da Medicina do Esporte contemporânea.
Por que compreender os fundamentos da ultrassonografia é importante?
Conhecer conceitos como física acústica, funcionamento dos transdutores e formação de artefatos ajuda o médico a interpretar imagens com maior precisão e segurança diagnóstica.
Como acompanhar as principais tendências da medicina?
Acompanhar publicações científicas, atualizações de sociedades médicas, mudanças regulatórias e iniciativas como o Radar Clínico permite manter a prática alinhada às evidências e às transformações da área da saúde.